Dia 3: Icht - Tata

O dia começou cedo, antes das sete da manhã, para vermos nascer o sol no deserto. O resort Borj Biramane fica ao lado de um oásis arenoso, junto a um oued que atravessa Icht, e vale bem a pena ver o nascer do sol nesta zona do deserto. O resort tenta enquadrar-se na paisagem local com as construções de tom ocre, dotadas de um bom nível de conforto, com preocupações ambientais, no que agora se designa por um conceito “eco”.  Em seguida ao nascer do sol, um pequeno-almoço muito bom, com sumo de laranja natural, torradas e crepes. Após o pequeno-almoço, decidimos alterar o percurso e seguir para Tadakoust por uma pista que atravessa uma zona de deserto, com cerca de 25 kms, entre montanhas. A pista é constituída por areia e pedra solta, e desenrola vários cenários em terreno maioritariamente plano, com troços rápidos alternando com zonas de transição e passagem de oeuds secos (nesta zona disseram-nos que chove três a quatro vezes por ano). Por vezes encontráms bosques de argânias e acácias ao longo do percurso mas não se avistou vivalma, embora houvesse marcas de passagens de outros carros A paisagem é diversificada nas tonalidades da areia, contrastando com o verde do escasso manto vegetal e o castanho ocre das montanhas. O final da pista, já perto de Tadakoust, desemboca numa zona agrícola explorada por uma cooperativa onde vimos várias mulheres a trabalhar nos campos. Quando regressámos ao asfalto estávamos a cerca de três quilómetros de Tadakoust, o nosso objetivo. Na entrada da aldeia, à esquerda, um cemitério evidencia um morabito em bom estado de conservação. por sobre a aldeia avistam-se três elevações com especificidades diversas. A da direita apresenta um celeiro (grainier) em mau estado de conservação, a segunda é conhecida como o “plateau de la priére” e a terceira é uma montanha onde outrora existiram minas de exploração de ferro e cobre, atualmente abandonadas.
Contavamos não nos demorar, mas a aldeia reservava-nos boas surpresas. Para começar, apresenta três zonas distintas: a superior, hoje abandonada, que data do séc. VIII, a zona intermédia, com cerca de cento e cinquenta fogos, dos quais apenas cerca de dez se encontram habitados e a zona perto do oeud, mais abaixo, que é a zona de palmeiral, onde se alojam o oásis e as hortas, com um interessante sistema de irrigação gerido pelo guardião da rega, que até há pouco era controlada por um relógio de sol ainda existente na entrada sul. Fora dessa zona existem casas mais novas, onde mora a maioria da população, constituída por cerca de quinentos moradores, dos quais oitenta e duas crianças em idade escolar até ao sexto ano, cerca de trezentas e cinquenta mulheres e o restante serão homens. os alunos mais velhos continuam os estudos na aldeia vizinha, distante cerca de trinta quilómetros, em regime de internato, e visitam a família a cada duas semanas. Muitos dos homens da aldeia trabalham fora, em cidades como Casablanca, Ourzazate, Agadir ou Marraquexe. A zona mais interessante, a intermédia, apresenta muitas casas em taipa, algumas das quais em ruínas, mas tivemos oportunidade de conhecer dois primos, o Mohammed e o Ali, sendo que este último possui várias casas, uma das quais transformada num pequeno museu,  que visitámos, e cuja planta foi levantada pelo Miguel. No entanto, na parte da tarde Ali franqueou-nos igualmente as portas de uma das casas da sua família cujo interior revelou vários pormenores interessantes que o Miguel igualmente levantou.
Ali apresentou-nos ainda à sua família, uma vez que vive com o pai, filhos e irmãos, tendo-nos convidado para almoçar em sua casa após a oração principal da sexta-feira. Fomos presenteados com uma tagine de couscous com vegetais, seguido do ritual de dois chás, numa demonstração de hospitalidade que nos encheu de gratidão.
Após as despedidas e a promessa de regressarmos, voltámos à estrada, rumo a Tata, onde tínhamos reserva na Dar Infiane. Chegámos perto das nove da noite e já não nos aguardavam, por isso tivémos de improvisar >um jantar com sandes de atum, casatanha de cajú e vinho da zona de Méknes que, estrategicamente, havíamos trazido como reserva de segurança, segundo os ensinamentos do bom velho capitão Haddock.

Nascer do sol, Borj Birane
Morabito, Tadakoust

Pista para Tadakoust

Relógio de sol, Tadakoust

Muhammad, Tadakoust


Marco, pista para Tadakoust

Habitante de Tadakoust

Pirâmides de Tadakoust, vista do oásis

Tagine de legumes, casa de Ali, Tadakoust

Tâmaras, casa de Ali, Tadakoust

Oásis, Icht

Oásis, Icht

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