Dia 4: Tata - Foum Zguid

Depois do jantar menos conseguido de ontem à noite, o pequeno-almoço desta manhã caiu muito bem, sobretudo os ovos fritos com especiarias, finalizado com o tradicional chá. Em seguida, a Latifa, gerente da Dar Infiane, guiou-nos numa visita pelo interior dos nove quartos da casa, estando um deles localizado em volta de um asarag, uma espécie de pátio interior coberto que lhe dá um ambiente diferente. A dar (casa) foi recuperada pelo proprietário - Patrick - com extremo cuidado, sendo visível o esforço feito para devolvê-la ao seu aspeto original, visível no trabalho dos tetos, executados com madeira e folhas de tamareira, alguns pintados. O salão principal apresenta uma decoração bastante colorida e acolhedora, com vista para o lado nascente, de onde se consegue ver um belo nascer do sol. Dos terraços da casa pode-se, por sua vez, desfrutar de uma vista espantosa para o oásis e o oued em redor, valendo por imsi só uma visita.
Depois das despedidas habituais, visitámos uma parte mais antiga da cidade, no bairro de Agadir Lhna, situado numa colina que se estende a partir do oásis na parte baixa, com as casas desde o início do declive  até ao cimo, no qual se aloja um cemitério com o seu morabito. 
Dissemos adeus a Tata e tomámos a estrada para Akka Ighane, uma aldeia que nos pareceu habitada sobretudo por gentes do sul. Ali travámos conhecimento com Brahim, um rapaz de trinta anos que nos disse ter estudos em PVC, mas que por não ter conseguido arranjar trabalho vive com a sua família numa casa humilde, mas de boa dimensão, na aldeia. O tio, Hassan, é curandeiro e prepara remédios para os enfermos. Mostrou-nos a sala onde prepara as suas mezinhas, com evidente orgulho. Nessa casa mora ainda a pequena Bochra, uma menina com dez anos, com um sorriso e uma amabilidade que nos derreteu. Mostrámos fotos de família e falámos um pouco de Portugal, o que a pequena Bochra ouviu com atenção, no seu francês ainda rudimentar, mas em progressão. No entanto, sabe falar e escrever em árabe e amazigh, a língua berbere, no que é a única da família a ser capaz de o fazer. Toda a família nos recebeu muito bem, convidaram-nos a visitar a sua casa e Brahim serviu-nos chá. Na despedida, a avó, a quem amputaram as pernas dos joelhos para baixo por ser diabética, levantou as costas doseu leito para se despedir de nós condignamente. À saída fomos presenteados com tâmaras e pão acabado de cozer e, já com saudades e a promessa de lhes enviarmos um postal, despedimo-nos com o tradicional até à vista, respondido com o habitual insha allah.
Seguiu-se uma passagem pela Kasbah Ejjoua, de pequena dimensão, onde fomos acompanhados por várias crianças, sempre de sorriso na boca, de que retive alguns nomes: Fátima, Kadima, Adam, Selma, Seijah, das quais nos despedimos com alguns pacotes de biscoitos que desapareceram num ápice.
No caminho para Tissint avistámos desde a estrada uma aldeia no cimo de uma garganta, por sua vez  sobranceira a um impressionante oásis, em frente ao qual parámos para um breve pic-nic para retemperar forças visto que nos tínhamos esquecido de almoçar. Já em Tissint, impôs-se uma visita à zona mais antiga, com algumas casas de taipa ainda em bom estado, embora o panorama geral não seja muito diferente das demais aldeias. A douar de Tissint é atravessada por um aqueduto em pedra e betão que desemboca num canal construído em cimento, que por sua vez desagua no oued que banha o oásis da aldeia, com uma dimensão considerável e admiravelmente plantado. Ouvimos um coro numa escola corânica e vimos algumas mulheres a lavar roupa na água do canal. Tentámos falar com algumas, mas ninguém parecia falar outra língua para além do amazigh, pelo que se riram da nossa ignorância.
Finalmente, de coração cheio tomámos a estrada para o destino final, Foum Zguid, onde chegámos já ao anoitecer, depois de termos visto um fabuloso por do sol sobre o Anti Atlas, numa zona de deserto.
Esta noite ficaremos alojados na Riad Hiba, nos arredores da Foum Zguid, junto a um oásis de grande extensão e espera-nos um poulet au citron.

Dar Infiane, sala de refeições

Oásis de Tissint

Pôr do Sol, pista para Foum Zguid


Pista para Akka Ighane

Mesquita de Akka Ighane

Remédios caseiros, Akka Ighane

Entrada de Foum Zguid

Akka Ighane, vist de rua 

Fogão, Akka Ighane

Akka Ighane

Oásis de Tata

Morabito, cemitério de Tissint

Suite principal, Dar Infiane

Oásis, Tissint

Zona de deserto, Tissint

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