O primeiro dia foi para ligação de Faro a Tiznit. A mais longa etapa do percurso, mas que entre Faro e Marraquexe se fez de avião, uma viagem sem nada digno de registo. Na chegada ao aeroporto de Menara, recolhemos o carro para o périplo - um Dacia Duster automático - que nos surpreendeu pelo bom estado de conservação geral. Fizemos compras de mantimentos no centro comercial Al Mazar, relativamente perto do aeroporto, comemos algo ligeiro - uma espécie de mista de carne de aves e borrego bem temperada e saborosa - e em seguida pusemos-nos a caminho para apanhar a A3 até Agadir. O Miguel iniciou a viagem a conduzir.
Num posto de abastecimento à saída de Marraquexe, o Miguel reparou que estava um prego alojado no pneu traseiro esquerdo, pelo que perdemos algum tempo a procurar uma garagem numa estrada secundária para reparar a roda, o que conseguimos depois de perguntar algumas vezes onde encontrar uma garagem. Para grande surpresa minha, poucas pessoas conseguem falar francês e foi com gestos que basicamente conseguimos comunicar. Levou-nos um pouco, mas acabámos por encontrar a garagem, embora fosse necessário esperar um bocadinho porque o proprietário estava a rezar ao fundo doe estabelecimento. A religião primeiro, obviamente, nada de interferir com os caminhos da fé, ainda que a roda tenha sido inventada antes de deus, mas assim que nos viu o proprietário veio ter connosco com uma amabilidade e um sorriso bem patentes no rosto. Faz parte desta herança e cultura que partilhamos dos dois lados do Mediterrâneo. Em menos de cinco minutos removeu o prego e reparou a avaria, sem necessidade de desmontar a roda, de modo que pudemos seguir viagem.
A A3 atravessa parte do Anti Atlas, mas numa zona em que este progressivamente se esbate até desaparecer no Atlântico, mas ainda assim avistámos alguns cumes com neve. De um modo geral, os cursos de água estavam secos e ao longe avistavam-se aldeias isoladas, por vezes encavalitadas no sopé ou na encosta das montanhas. Uma dessas aldeias é Argana, uma aldeia encolhida no lado esquerdo da estrada, conhecida pelo óleo com o mesmo nome, extraído a partir das sementes da argânia - árvore que dá o nome à terra - que nesta região tem uma das maiores biosferas do planeta.
Quase à chegada a Agadir, antes do fim da A3 parámos para desentorpecer as pernas e passei eu para o volante, a noite começava então a cair. Quando deixámos a A3, após a passagem por Agadir, a estrada tornou-se uma via predominantemente urbana, com rotundas, muito próxima do que é agora a EN 125, com controlos de velocidade frequentes, sendo dotada de alguma confusão por causa da existência de muito comércio na berma da estrada, por onde circulam muitas bicicletas e motorizadas, a maioria das quais sem luzes.
Cerca das nove da noite avistámos finalmente Tiznit, onde terminava a viagem. O hotel que escolhemos, o Idou Tiznit, fica numa das principais entradas no lado nascente da medina, que também visitámos à noite, e onde comemos uma refeição ligeira constituída por uma espécie de sardinha albardada metida num pão, com um molho a cobrir e batatas fritas, acompanhadas pelo inevitável chá cheio de açúcar, tudo por 12 dirhams (cerca de um euro e vinte). A medina tem uma forte atividade comercial e à noite, ainda havia ainda imensa gente na rua, mas é algo descaracterizada. Entrámos por uma porta e saímos por outra, percorrendo em seguida um pouco da muralha onde avistámos várias pessoas a dormir na rua. Por fim voltámos ao hotel, onde ainda ficámos um pouco a conversar na varanda que deita para a piscina. O dia acabou cerca das onze da noite locais (mais uma hora que em Portugal).
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| Tiznit, muralha |
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| Marraquexe |
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| Na A7, de Marraquexe a Agadir |
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| Hotel Idou Tiznit |
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| Hotel Idou Tiznit |
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| Aeroporto de Menara, Marraquexe |
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| Medina de Tiznit |
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| Medina de Tiznit |